CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE KARATÊ SHOTOKAN – JKS BRASIL

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Visão [理念]

Desde sua nomeação pelo Mestre Gichin Funakoshi, o significado de “Kara-te Do” tem sido tomado como o “caminho da mão vazia”, mas isto tem levado ao falso entendimento de que o “kara”, o vazio, se refere às “mãos sem armas”. Todavia, como o corpo de um karateca dispõe de um verdadeiro arsenal de armas naturais, as quais, na prática real do Karatê, são direcionadas a pontos vitais, esta primeira interpretação do sentido do Karatê encontra enormes dificuldades para ser aceita. Talvez, então, o Mestre tenha usado “kara” no sentido inerente ao vazio do Zen do Budismo.

 De fato, para o Zen, uma das piores enfermidades consiste na fixação da mente naquilo que se está executando, uma vez que a mente, presa ali, deixa de abranger o todo. Em sua prática, o domínio do Tai Sabaki, do “maai” e da percepção das aberturas representam manifestações do “kara”. Na verdade, o exercício do Kumitê, qualquer que seja ele, consiste na busca do quantum espaço-temporal do vazio e do pleno, na medida em que o karateca preenche e esvazia os espaços entre ele e seus adversários, a ponto de que aquele que conseguir dominar este quantum terá grande chance de dominar o reino das estratégias, reunindo elevada probabilidade de sucesso em combate real.

            Todavia, não obstante sejam significativos os apoios advindos de um bom professor, de bons livros e alguns filmes ou documentários sérios, jamais se deve negligenciar o treino sincero e dedicado. Por isto, deve-se tomar como meta primeira o treinar com afinco e com assiduidade, nunca parar de treinar e jamais achar pretexto para justificar as faltas aos treinos.

            O treino básico e essencial é o Ki-hon, que deve ser entendido como o “treino para liberar a energia vital, Ki”. No Ki-hon, cada movimento deve ser executado sentindo-se cada músculo requerido, tendo, como presentes, fatores tais como: concentração de energia corporal na zona subumbilical (hara ou tanden); calma de espírito (mergulho no Zen); olhar e atenção em constante alerta de espírito marcial; base que viabilize equilíbrio e rebaixamento do centro de gravidade; rebaixamento dos ombros, quer em repouso ou em execução de técnica; velocidade; explosão de energia; força; espírito selvagem de combate; ritmo; controle da respiração; rotação dos quadris; contração e descontração musculares. A convergência destes fatores no Ki-hon, além de levar a uma notável coordenação e a um visível direcionamento da força para execução de cada movimento, conduz ao sentimento do combate real.

            Já o treino do Kata, até bem pouco tempo a única via de treinamento, já que o Ki-hon e as competições como entendemos hoje não existiam, são oriundos das artes marciais chinesas. E, se observarmos como os chineses falam do kata, estaremos bem perto de entendermos seu real significado. Com efeito, na origem, cada kata consistira na execução de encandeamentos de técnicas de defesa e de ataque imitando os movimentos de um dado animal e era chamado de “estilo”. Por isto que era comum se ouvir falar do estilo do macaco, do estilo da águia, do estilo do tigre e assim por diante. Raramente dois destes estilos eram criados por uma única pessoa. O comum era que cada estilo (kata) fosse concebido por um único mestre. À medida que se deu a divulgação e a propagação de vários estilos (kata), ocorreu o assim chamado domínio de vários estilos e, posteriormente, a escolha dos estilos e dos modos de execução de certas passagens resultou em modos padrões, acarretando os atuais estilos de Karatê. Neste sentido, o real domínio de único kata representa um enorme e significativo avanço do karateca, uma vez que ele estará penetrando no âmago do pensamento do mestre criador do referido kata e redescobrindo as reais intenções ali ocultas. É por isto que é corrente o apanágio de que “jamais um kata é entendido a fundo, a não ser por um verdadeiro mestre”.

            A prática do Kumite, oriunda do aficionado espírito dos universitários japoneses, coloca-nos na situação de absoluto abandono, na qual experimentamos o sentimento de que ninguém virá em nosso socorro, a não nós mesmos. É aqui que colocamos à prova o que aprendemos; é aqui que as falsas certezas se revelarão como castelos de areia; é aqui, também, que os espíritos fortes mostrarão que os obstáculos devem ser vencidos; é aqui que se compreende que o combate é o embate entre duas vontades na procura da superação de seus próprios conflitos, temores e vulnerabilidade, mediante a busca desesperada da otimização do aproveitamento das aberturas na fortaleza um do outro. Quando se chega a este grau de desenvolvimento, a luta que se trava não é a luta de corpos, como parecerá aos olhos do leigo, mas a luta de espíritos, cada um buscando abertura no espírito alheio, de modo que quando penetramos na abertura do outro, estamos ensinando-o a se proteger e, inversamente, quando somos atingidos, devemos agradecer por nos mostrar que ainda somos portadores de deficiências e estamos ainda longe da perfeição.

Foi justamente para revivar esta compreensão da nobre arte do Karate Do Shotokan que o Introdutor do Karatê no Brasil, Grão Mestre SADAMU URIU, 9º. Dan, criou, em 12 de junho de 1994, a Confederação Brasileira de Karatê Shotokan – CBKS, vinculando-a à International Japan Karate Association – IJKA e à Japan Karate Shotorenmei – JKS, ambas fundadas e lideradas pelo lendário Mestre Tetsuhiko Asai. Hoje a CBKS/JKS-Brasil formam uma unidade que se projeta, com sucesso, nos eventos internacionais promovidos pela JKS-Japão, atualmente sob a liderança do renomado Mestre MASAO KAGAWA, 9º. Dan.

Se você estiver interessado a praticar Karate Shotokan no espírito aqui esmiuçado, procure entrar em contato com a Federação JKS de seu Estado ou com a JKS-Brasil.
Estamos vivendo num mundo que se transforma a cada dia, a cada minuto, a cada milésimo de segundo. São mudanças cada vez mais constantes. Temos que nos adaptar rapidamente a diversos ambientes. Oss!”
“O fino equilíbrio de tão pouco é uma visão bem-vinda em um mundo tão ocupado.”